Tenente preso em faculdade pela PC acusado de falsificar nota do ENEM é absolvido e juiz diz que crime “nunca existiu”

O juiz de Direito Manoel Gonçalves Dantas de Abrantes, da 3ª Vara Regional de Mangabeira, inocentou o tenente da Polícia Militar, Moises Williams da Silva, que foi preso em junho de 2017, suspeito de fraudar o vestibular de medicina de uma faculdade particular no bairro Valentina de Figueiredo, em João Pessoa. A prisão do tenente por suposta fraude em vestibular gerou uma ‘guerra’ entre as polícias Civil e Militar

De acordo com a decisão do magistrado, nunca existiu o crime de uso de documento falso para que o tenente e outros dois alunos ingressarem na faculdade. Diante dessa constatação, o juiz absolveu o tenente e os estudantes de medicina José Victor Barbosa e Raiane Barbosa Araújo, ambos de 20 anos.

“Os extratos impressos do ENEM por ocasião da audiência em juízo refletem exatamente os que foram apresentados pelos acusados, o que comprova que não houve a falsificação e, consequentemente, o uso de documento falso. Mesmo que tivesse havido a inversão das notas, não haveria qualquer resultado prático, pois restou esclarecido que a classificação é feita pela média aritmética de todas as notas e não pelo sistema de pesos de disciplinas”, explicou o magistrado.

O caso

Um tenente da Polícia Militar, Moises Williams, e mais duas pessoas foram presas em junho de 2017 suspeitos de alterarem as notas do Enem tentando fraudar a seleção para ingresso em uma faculdade de Medicina em João Pessoa. Uma das candidatas confirma a fraude, já o tenente e outro candidato negam as acusações. A faculdade entregou documentos que provam as fraudes à polícia.

As prisões aconteceram por volta das 14h, no momento da prova, e a Polícia Civil foi chamada pela própria comissão organizadora do processo seletivo.

Conforme o delegado de Defraudações, Lucas Sá, a faculdade oferece quatro vagas para as melhores notas do Enem, independente do resultado das provas. “Esses candidatos aos se inscreverem mandam arquivos com as notas que teriam tirado no Enem, e os quatro melhores colocados já tem direito a ingressas no curso independente da nota da prova”, afirmou Sá.

O tenente da PM e o outro candidato teriam invertido as notas para também concorrer a essas vagas, mas eles negam a acusação e dizem que houve um erro no sistema. A faculdade entregou à Polícia Civil vários documentos que indicam as fraudes.

Ainda conforme o delegado, a faculdade informou que ao aderirem a esse método de ingresso direto para candidatos com as maiores notas no Enem, tem detectado esse tipo de fraude nos últimos anos. “A faculdade entra no sistema do Inep e confere a nota, a partir dai observa essas divergências. E devido a essas divergências a polícia foi acionada”, disse.

Portal do Litoral

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