Em 2017, 98 pessoas morreram em ações policiais no RN

Chegou a 98, neste domingo (8), o número de pessoas que morreram em ações policiais no Rio Grande do Norte desde janeiro de 2017. Os dados dados são do Óbvio – Observatório da Violência Letal Intensional – que mapeia os dados sobre homicídios e outras mortes em decorrência da violência. Esse tipo de ação teve crescimento de 30,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a “letalidade policial” chegou ao número de 75 casos.

A Polícia Militar foi responsável pela maioria das ocorrências (83), seguida pela Polícia Civil (11). Houve ainda três casos envolvendo as forças nacionais que estão no estado e um da Polícia Rodoviária Federal. Apesar do aumento, os números não chegam a representar muito na comparação com a quantidade de mortes violentas no estado, que se aproxima das duas mil vítimas em 2017.

Segundo as associações que representam policiais, 18 agentes de Segurança Pública (sendo 16 PMs, um agente penitenciário e um guarda civil) foram mortos em 2017.

O último caso de ‘ação típica de estado’ – quando um suspeito morre em confronto com a polícia, por exemplo – aconteceu neste domingo (8), na comunidade do Mosquito, zona Oeste da capital potiguar.

O especialista em gestão e políticas de segurança pública Ivenio Hermes, que também é coordenador do observatório, considera que os números refletem um despreparo do poder público em traçar estratégias seguras para diminuir a violência.

Ele considera que, uma vez enfraquecidas pela falta de pessoal, treinamento e armamento, as polícias perderam o respeito dos criminosos, que partem para o confronto com as forças do Estado. “Nesse embate sugerido, um dos dois lados vai perder”, considera.

Ainda de acordo com Ivenio Hermes, as condições precárias fazem com que o policial trabalhe em um nível de adrenalina muito alto. “Dessa forma, uma ação que poderia gerar apenas ferimento, ou escoriações, vai resultar em morte, porque a polícia vai com muita força, temendo também a ação dos criminosos”, pondera.

Para ele, não adianta apenas aumentar o efetivo policial sem ter um plano de estratégia montado desde a base, com análises que possam definir o que está dando certo e o que precisa ser mudado.

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