Médico do RN desabafa sobre ‘burocracia’ para fazer transplante de coração em criança de 7 anos

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O médico potiguar Madson Vidal fez um desabafo em sua rede social no último domingo (31) ao relatar a dificuldade para conseguir marcar um transplante de coração com urgência para uma paciente de 7 anos de idade, que está internada e sobrevive com ajuda de aparelhos no Hospital Rio Grande, na Zona Leste de Natal.

O relato do médico, que ganhou repercussão nas redes sociais do estado, clamava por um decisão rápida para Brunna Silveira Lopes pudesse receber o novo órgão. “Não se deveria fazer contas ou haver ‘burocracias’ para tentar salvar uma vida”, exclamou na publicação.

O médico contou a reportagem que Brunna nasceu com um problema chamado “transposição das grandes artérias” e que ela havia passado por um cirurgia paliativa ainda quando bebê. A criança, que pesa 30 quilos, sempre recebeu acompanhamento médico pela sua condição. Há 14 dias, ela precisou passar por um novo procedimento para melhorar a sua oxigenação, porque seu tom de pele estava cada vez mais “roxo”. Neste novo procedimento, no entanto, o coração não suportou a circulação.

Brunna, que é paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), hoje sobrevive por estar ligada a uma máquina de “oxigenação por membrana extracorpórea”, conhecida como ECMO. Ela chegou a ser retirada dos tubos, mas não teve resistência para ficar sequer oito horas longe dos aparelhos.

Em meio a esse processo, o médico Madson Vidal e sua equipe pediram para realizar o transplante do coração, o que foi negado pela Central Nacional de Transplantes, já que o Hospital Rio Grande não havia sido credenciado para isso. Nenhuma outra unidade foi indicada, no entanto, apesar da urgência solicitada. A equipe médica recorreu à Justiça, mas também teve o pedido negado. “Enquanto isso, ela continua na UTI em estado grave”, lamentou o médico, que já havia reclamado em sua postagem: “A burocracia é a mais importante que a vida e mata”.

O apelo do médico nas redes sociais levantou a possibilidade de que Brunna seja levada para Recife para a realização do transplante, ainda sem data definida. “Ela vai precisar ser levada numa UTI aérea. Tem um transporte delicado, tem um risco, claro, mas a gente sabe que está tentando”, explicou.

Pela situação delicada, Madson Vidal explica que a menina deve entrar na lista de prioridades da Central Nacional de Transplantes. “É importante que tudo se desenvolva de forma rápida. Isso porque hoje ela está ligada a máquina de ECMO, que pode lhe causar uma infecção ou outra complicação”, fala.