Morador de rua pede ajuda em PSF e reencontra família da Paraíba após um ano desaparecido

234

Um morador de rua, de 29 anos, reencontrou a família no Recife, depois de ficar um ano desaparecido. Jakson Santos conseguiu voltar para casa, em Campina Grande, na Paraíba, com a ajuda de uma assistente social da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, na Zona Oeste da capital pernambucana, que localizou o pai do jovem.

Vítima de alcoolismo, o rapaz sumiu de casa no início de 2018. Desde então, a família o procurou em inúmeros lugares e chegou a registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. Os pais acreditavam que ele estava morto. O reencontro de Jackson com o pai e a madrasta ocorreu na sexta-feira (8).

No Recife, após vagar entre Pernambuco e Paraíba. durante um ano, ele decidiu pedir a ajuda para a assistente social Swany Ramos, que entrou em contato com unidades de saúde do estado natal de Jakson, até falar com o pai do rapaz.

Segundo Swany, na quarta-feira (6), Jakson deu entrada na UPA com um ferimento no pé, causado pelo excesso de caminhadas. Ele recebeu alta no mesmo dia, mas na quinta-feira (7), decidiu voltar à unidade de saúde para pedir ajuda.

“Ele pediu ajuda não mais como paciente, disse que queria parar com o alcoolismo e que gostaria de encontrar a família. Como ele não tinha contato algum, investigamos e ele contou que já havia sido tratado numa UPA da cidade. Liguei para lá e peguei o contato de seu pai, mas não consegui falar com ele. O pessoal de lá da Paraíba intermediou e, assim, conseguimos”, afirma.

Pai de Jakson, o taxista Jurandi Santos afirma que não tinha mais fé no retorno do filho. Ele chegou a procurar a polícia e Institutos de Medicina Legal (IML) para reconhecer corpos de jovens assassinados que, segundo ele, poderiam ser seu filho. A família distribuiu cartazes pelas cidades vizinhas e anunciou o sumiço do jovem em rádios e jornais.

“Um dia, ouvi que houve um homicídio em João Pessoa (PB), vi uma foto da vítima e estava certo de que era meu filho, mas o nome do rapaz era outro, mas eu só me sossegaria quando visse o rosto dele. Não consegui nada, mas prestei queixa do sumiço e o delegado disse para aguardar. Não tinha mais fé de que ele apareceria”, diz.

Ainda segundo Jurandi, anteriormente, por causa do alcoolismo, o filho costumava desaparecer de casa por alguns dias, mas nunca por um período de tempo tão longo. Depois de um ano, a primeira notícia que eles tiveram de Jakson foi no início de março, mas o rapaz não quis contato com a família.

Após o reencontro, o taxista comemorou os primeiros momentos na companhia do filho e disse vai ajudá-lo a reconstruir a vida.

“Hoje, eu estou bem, pela primeira vez, em muito tempo. Há uma semana, me ligaram de Vitória de Santo Antão (na Zona da Mata de Pernambuco) e disseram que ele estava lá, mas que não queria ajuda. Ontem, disseram que ele estava aqui (no Recife) e foi quando falei com ele. Quando ele perguntou pelos avós, tive certeza de que era meu filho. Ele estava com o pé ferido, não aguentava mais”, afirma.

‘A violência da rua me fez querer voltar’

Jakson convive com o alcoolismo desde o início da vida adulta. Segundo ele, a bebida sempre foi um problema e a vergonha causada pelo vício era o que o fazia agir impulsivamente e o afastava cada vez mais da família.

“Eu vi um cara matando outro, na minha frente. Nesse tempo, vi muita coisa e sofri muita coisa também. Nas estradas, via muita violência e me escondia no mato para escapar. Já levei uma garrafada e, se não tivesse fechado os olhos, teria ficado cego. Tenho a cicatriz até hoje”, afirma.

Ainda segundo Jakson, a cada recaída, a vergonha que ele sentia por causa do alcoolismo aumentava. Desde jovem, ele trabalhou informalmente em mercados e outros estabelecimentos comerciais, mas sempre deixava os empregos por causa da bebida.

“Quando você é jovem, não pensa muito bem. Eu brigava muito com minha família, todo mundo ficava revoltado. Quando ficava sóbrio, vinha o desgosto comigo mesmo, porque você não compreende o porquê das suas ações. Era aí que eu ganhava o mundo, bêbado, doido. Teve um momento que eu não quis mais voltar para casa para não dar mais trabalho”, declara Jakson.

De volta à família, Jakson diz que pretende se recuperar.

“Quero botar a cabeça no lugar e dar orgulho à minha família. Quando me recuperar do pé, vou procurar ajuda psicológica e tentar me curar do alcoolismo”, afirma.
G1PB